O AMOR CRISTÃO

Quarta, 29 Janeiro 2014 | Publicado em Religião | por 

Li recentemente uma notícia interessante num blogue religioso. Cito o trecho que a resume: "O pastor Ryan Bell, da Igreja Adventista da Califórnia, anunciou que passará 2014 sem orar, ler a Bíblia ou pensar em Deus, e relatará suas experiências num blog". Em outras palavras, vai passar um ano como ateu.

Incréu que sou, fiquei muito feliz com a iniciativa do pastor, porque acho que ela tem grande potencial de desmistificação. Durante o ano em que viverá como ateu, Bell certamente aprenderá muita coisa capaz de mudar suas opiniões preconcebidas sobre pessoas como nós, os sem Deus no coração... Oxalá aprenda que o ateísmo não é "só mais uma religião", que não é preciso ter fé para ser ateu, que a descrença em Deus não é incompatível com a moral...

O AMOR CRISTÃO

Meu único temor (ou direi esperança?) é que a experiência termine por desmitificar também os seus colegas. Todo mundo sabe que a melhor maneira de descobrir quem os outros realmente são é se tornando inimigo deles. Por isso, receio que, vivendo um ano do outro lado da barricada, o intimorato pastor descubra que os cristãos não são tão tolerantes quanto ele pensava e fique tão desapontado com isso que acabe perdendo a fé nas virtudes cristãs.

Cristãos falam o tempo todo em amor ao próximo, mas a única coisa que eles conhecem é o amor ao mais próximo. Ou seja, amor ao que pertence ao seu grupo, ao que comunga das suas crenças, ao que participa dos mesmos rituais, amiúde ao que frequenta a mesma igreja... A história mostra que um cristão só é capaz de amar na medida em que se olha no espelho. Se você for uma cópia idêntica dele, pode contar com o seu amor, mas, se você ousar ser outra coisa, ai, ai, ai, amigo... Melhor sair correndo e arranjar um bom lugar para se esconder... Acredite, você não vai querer pagar para ver.

Talvez nem seja preciso um ano inteiro para que o nosso amigo descubra que o cristianismo não é a religião do amor ao próximo, mas a religião do ódio ao que é diferente. Ainda nem chegamos a fevereiro e os seguidores do Nazareno já deram lindas demonstrações de como tratam seus adversários ideológicos. No mesmo blogue, fiquei sabendo que, "antes do anúncio do 'ano ateu', o pastor era professor em duas universidades cristãs e prestava consultoria a outras igrejas. Após a revelação de sua iniciativa, Ryan foi demitido das universidades e deixou de receber convites para prestar consultoria".

Claro, você pode justificar isso alegando que as duas universidades são cristãs e que, em tal espaço, não faz muito sentido a presença de um ímpio. Mas isso só serviria de desculpa se ele fosse um descrente, o que não é o caso – pelo menos não ainda...

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